Operação que prendeu MC Ryan, Poze e dono da Choquei apreendeu cerca de R$ 20 milhões em veículos, diz PF

Nayara Vieira
3 min de leitura
Operação que prendeu MC Ryan, Poze e dono da Choquei apreendeu cerca de R$ 20 milhões em veículos, diz PF (Reprodução / Redes sociais)

A Polícia Federal realizou uma apreensão expressiva nesta quarta-feira (15), confiscando cerca de R$ 20 milhões em veículos de luxo durante a Operação Narco Fluxo. A ofensiva mira uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão, montante que integraria valores ilícitos provenientes do tráfico de drogas. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 33 de prisão preventiva em diversos estados, resultando na detenção dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei.

A frota de luxo apreendida inclui modelos de marcas prestigiadas como Ferrari, Porsche, Land Rover e BMW, evidenciando o alto padrão de vida mantido pelos investigados. Além dos automóveis, os agentes federais apreenderam relógios de grife, armas, equipamentos eletrônicos e grandes quantias de dinheiro em espécie. A Justiça Federal também autorizou o bloqueio de R$ 1,6 bilhão em contas e ativos financeiros ligados ao grupo, visando asfixiar a estrutura econômica da organização, que ainda possui cinco integrantes considerados foragidos.

De acordo com o Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, Marcelo Alberto Maceiras, o esquema utilizava a grande visibilidade dos influenciadores como peça estratégica para a engrenagem criminosa. A função dessas personalidades era realizar a propaganda de empresas de fachada e movimentar vultosos recursos de forma pulverizada. A estratégia visava burlar os sistemas de monitoramento e compliance de instituições bancárias, aproveitando o fluxo naturalmente alto de transações financeiras desses perfis públicos para mascarar o capital de origem ilícita.

Maceiras ressaltou que pessoas com milhões de seguidores são “facilmente recrutáveis” por essas organizações devido à facilidade com que conseguem justificar a movimentação de dinheiro sem despertar suspeitas imediatas das autoridades. O uso de rifas digitais e contratos de publicidade servia como cortina de fumaça para a inserção do dinheiro do narcotráfico no sistema financeiro legal. Com as prisões e as evidências coletadas, a Polícia Federal agora busca identificar outros núcleos de lavagem que possam estar operando sob métodos semelhantes no Brasil e no exterior.

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