“Nunca fui bandido”, diz tenente em interrogatório sobre a morte da esposa, PM Gisele

Nayara Vieira
3 min de leitura
Coronel preso pela morte de PM teria exigido favores íntimos em troca de apoio financeiro (Foto: Redes Sociais)

Em depoimento à Polícia Civil, o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Santana, fez uma defesa enfática de sua trajetória de 35 anos na Polícia Militar. Ao ser questionado sobre as circunstâncias do crime e sua conduta após o disparo, o oficial buscou afastar suspeitas de adulteração da cena.

“Eu nunca fui bandido, doutor. Eu sempre salvei vidas, prendi criminosos”.

Ele reiterou que pautou sua carreira por princípios religiosos e familiares, afirmando que agiu corretamente conforme os parâmetros da corporação.

O oficial detalhou que o principal entrave para o divórcio do casal era a dependência financeira de Gisele, cuja renda estaria severamente comprometida por empréstimos consignados e gastos com procedimentos estéticos. Segundo Geraldo, restavam à esposa menos de R$ 1.000 mensais, o que o levava a transferir voluntariamente cerca de R$ 2 mil adicionais para a conta dela, além de arcar com despesas domésticas de R$ 10 mil.

Ele alegou que tentava viabilizar a separação ajudando Gisele a conseguir uma vaga na assessoria da PM no Tribunal de Justiça, que previa um adicional de R$ 5 mil e permitiria que ela vivesse de forma independente.

Sobre a rotina que antecedeu o crime, o tenente-coronel relatou que o dia 17 de fevereiro começou com idas separadas à academia e seguiu com Gisele trancada na suíte com a filha. A dinâmica de isolamento teria sido interrompida apenas no início da noite, quando o casal se reuniu no sofá da sala. De acordo com o depoimento de Geraldo, os dois conversaram por aproximadamente duas horas sobre o futuro da união.

Apesar da narrativa de uma conversa civilizada na véspera da morte, a Polícia Civil agora confronta o depoimento do oficial com as provas periciais, como o laudo que encontrou espermatozoides no canal vaginal da vítima. A investigação busca determinar se houve consentimento na relação sexual relatada ou se o ato fez parte do ciclo de violência que culminou no tiro na cabeça da soldado dentro do apartamento do casal. Geraldo permanece preso preventivamente enquanto o processo por feminicídio e fraude processual avança na Justiça de São Paulo.

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