O caso da brasileira Gisele Fernanda Theodoro Meira, de 32 anos, encontrada morta em 30 de março na cidade de Oliva, Espanha, ganhou novos contornos após o retorno do seu namorado, Joel Lewandowski, ao Brasil nesta terça-feira (14). Segundo a família, a volta dele só foi descoberta quando Joel enviou uma mensagem para o celular da sogra, utilizando o aparelho da própria vítima, com os dizeres: “Oi, sogrinha. Estou no Brasil”. O gesto chocou os parentes, que ainda buscam respostas sobre as circunstâncias da morte da jovem.
Investigações conduzidas por um advogado em Valência revelaram que, no mesmo dia do óbito de Gisele, Joel teria assinado um novo contrato de locação em outro endereço, abandonando os pertences da namorada no quarto que dividiam. A imobiliária responsável relatou que o rapaz deixou dívidas pendentes e não comunicou que sairia da Espanha. Enquanto a empresa afirma que os itens pessoais foram deixados para trás, Joel alega ter enviado documentos, o notebook e o celular de Gisele ao Brasil via Correios.
A versão de suicídio apresentada pelo namorado — que afirma ter encontrado Gisele sem vida — é veementemente contestada pela família em Curitiba. Os parentes denunciam que a polícia espanhola não foi acionada imediatamente no dia do ocorrido, o que impediu a abertura de um inquérito de praxe. Agora, com o apoio do consulado brasileiro, uma denúncia formal será apresentada para exigir que as autoridades espanholas investiguem o caso com o rigor necessário, indo além da narrativa inicial de autoextermínio.
Revelações da advogada no programa Além da Notícia
Em entrevista exclusiva ao programa Além da Notícia, com Paulo Mathias, a Dra. Carina Gioatá, representante jurídica da família, trouxe detalhes preocupantes sobre a condução do caso. A advogada confirmou ter formalizado uma denúncia junto ao consulado brasileiro, classificando o óbito como morte suspeita. Segundo a defensora, existe uma tendência das autoridades espanholas em encerrar o processo rapidamente, baseando-se apenas no depoimento do namorado, sem que uma investigação independente tenha sido realizada.
A Dra. Carina sustenta que protocolos internacionais básicos foram negligenciados, como a ausência de uma perícia detalhada no local e a falta de apreensão de objetos pessoais para análise. A defesa argumenta que a rapidez em aceitar a versão de Joel compromete a busca pela verdade. Nesta sexta-feira, os familiares devem emitir uma procuração no Consulado Geral da Espanha em São Paulo, concedendo poderes ao advogado espanhol para acessar o processo e acompanhar novas diligências oficiais.
O histórico de Gisele na Espanha também revela um ambiente de medo e desconforto. Ela vivia em um apartamento compartilhado com outros dois imigrantes e relatou à mãe o receio que sentia, citando comportamentos inapropriados de um dos moradores. Poucos dias antes de morrer, a brasileira planejava se mudar de cidade ou alugar um imóvel próprio para fugir daquela convivência difícil. Esses planos, no entanto, foram tragicamente interrompidos, e agora a família luta para que a justiça prevaleça sobre o silêncio e as contradições.
