O depoimento da agente penitenciária Tova Noel voltou a colocar em xeque as circunstâncias da morte do financista Jeffrey Epstein, ocorrida em 10 de agosto de 2019, dentro de sua cela em Nova York. Desde então, o caso é cercado por teorias da conspiração sobre a possibilidade de o criminoso sexual não ter cometido suicídio. Convocada a falar perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, Noel teria depoimento marcado para esta quinta-feira (26), mas a oitiva foi adiada por problemas de agenda, o que mantém o caso sob atenção e alimenta novas especulações.
Noel trabalhava na Unidade de Habitação Especial do Centro Correcional Metropolitano e estava de plantão na noite da morte de Epstein ao lado do colega Michael Thomas. Ambos deveriam realizar verificações no detento a cada 30 minutos, conforme o protocolo, mas foram posteriormente acusados de dormir em serviço e de falsificar registros indicando que as inspeções haviam sido feitas. Além disso, câmeras de segurança próximas à cela não registraram imagens naquela noite devido a falhas antigas no sistema, segundo relatório do Departamento de Justiça, o que comprometeu ainda mais a reconstituição dos fatos.
A divulgação recente de milhões de documentos pelo Departamento de Justiça trouxe novos elementos, mas sem encerrar as dúvidas. Entre os pontos levantados estão depósitos em dinheiro feitos por Noel nos meses anteriores ao episódio e o fato de ela ter pesquisado na internet sobre Epstein menos de uma hora antes de o corpo ser encontrado, por volta das 6h30. Os arquivos também incluem o relato de um detento que afirmou que documentos ligados ao caso teriam sido destruídos dias após a morte, ampliando os questionamentos sobre possíveis falhas, omissões ou irregularidades na condução do caso.
