“Mesada”: Ciro Nogueira teria recebido até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro

Nayara Vieira
3 min de leitura
“Mesada”: Ciro Nogueira teria recebido até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro (Reprodução)

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, tendo como um dos principais alvos o senador Ciro Nogueira (PP). A investigação aponta que o parlamentar mantinha uma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que ultrapassava a esfera política ou pessoal. Segundo a PF, o vínculo configurava um esquema de trocas de favores e vantagens financeiras indevidas, resultando em mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

O esquema de repasses mensais

O cerne da investigação reside em repasses mensais que, inicialmente, seriam de R$ 300 mil, mas que teriam evoluído para o montante de R$ 500 mil. Esses valores chegariam ao senador por meio da parceria entre as empresas BRGD S.A. e CNLF Empreendimentos — esta última administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima. A PF identifica Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, como o operador financeiro responsável por gerir o fluxo desses pagamentos.

Benefícios e vantagens de alto luxo

Além do dinheiro em espécie, a Polícia Federal listou uma série de benefícios patrimoniais usufruídos pelo senador. Entre as irregularidades apontadas estão a aquisição de participação societária de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, o uso gratuito de um imóvel de alto padrão por tempo indeterminado e o custeio de viagens internacionais de luxo. Para os investigadores, tais regalias reforçam a tese de que havia uma contrapartida política em jogo.

Provas obtidas em conversas interceptadas

Mensagens interceptadas pela PF entre 2024 e 2025 revelam o funcionamento interno do esquema e a preocupação dos envolvidos com o fluxo de caixa. Em um dos diálogos, o operador Felipe Cançado questiona o banqueiro Daniel Vorcaro sobre a manutenção do valor de R$ 500 mil mensais para o senador, mencionando a necessidade de aportes constantes. As conversas indicam que, mesmo em períodos de dificuldade financeira, o pagamento a Ciro Nogueira era tratado como prioridade pelo grupo.

Posicionamento da defesa

Em nota oficial, a defesa de Ciro Nogueira repudiou qualquer ilação de ilicitude e afirmou que o senador está à disposição da Justiça para esclarecer os fatos. Os advogados criticaram o que chamam de “medidas invasivas” baseadas em trocas de mensagens de terceiros, classificando a ação como precipitada. A defesa argumenta ainda que o uso desse tipo de evidência deve passar por um rigoroso controle de legalidade pelas instâncias superiores do Judiciário.

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