Uma investigação conduzida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, revelou que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, recebeu R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Os dados foram obtidos através da quebra de sigilo fiscal da instituição financeira, com documentos da Receita Federal comprovando os repasses. Os pagamentos foram formalmente declarados pelo banco por meio de impostos retidos na fonte, registrados no momento da emissão das notas fiscais de prestação de serviços.
Detalhes do contrato milionário
O montante recebido faz parte de um contrato vultoso firmado entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master, que previa o pagamento mensal de R$ 3,5 milhões ao longo de 36 meses, totalizando um valor potencial de R$ 129 milhões. Uma cópia digitalizada deste documento foi apreendida pela polícia no telefone celular de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição bancária. Os registros oficiais da Receita Federal confirmam que a execução financeira do contrato ocorreu conforme o tempo de serviço declarado pelo escritório, que atuou junto ao banco por 22 meses.
Posicionamento do escritório
Diante da exposição dos valores, o escritório Barci de Moraes manifestou-se afirmando que não confirma informações que classifica como incorretas e obtidas por meio de vazamentos ilícitos. Em nota, a banca jurídica enfatizou que todos os dados fiscais são protegidos por sigilo e criticou a divulgação dos documentos. Anteriormente, o escritório já havia detalhado que os serviços advocatícios foram efetivamente prestados no período compreendido entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, justificando a origem dos honorários.
Impacto institucional e democrático
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou a gravidade das revelações durante sessão realizada nesta terça-feira (7/4). Segundo o parlamentar, a complexidade da investigação envolvendo o Banco Master atinge diretamente os alicerces da democracia brasileira ao colocar em xeque a credibilidade das instituições. Vieira comparou o impacto do caso à relevância de temas nacionais urgentes, como o preço dos combustíveis, ressaltando que o volume de recursos e as conexões envolvidas exigem uma postura rigorosa do Senado.
Desdobramentos na CPI
A revelação dos R$ 80 milhões coloca nova pressão sobre a cúpula do Legislativo, sendo o tema levado diretamente ao conhecimento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Para os membros da comissão, os documentos da Receita Federal são peças fundamentais que comprovam a materialidade dos repasses financeiros sob investigação. O caso agora segue para análise detalhada dentro da CPI, que busca entender a natureza dos serviços prestados e se há irregularidades na relação entre a instituição financeira e o escritório da esposa do ministro do Supremo.
