O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou nesta segunda-feira (16) que ainda não há comprovação técnica de que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, recebia uma “mesada” de R$ 300 mil. Segundo o parlamentar, a acusação baseia-se exclusivamente no depoimento de Edson Claro, ex-funcionário do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Embora Viana confirme que Lulinha viajou com o empresário para Portugal, ele ressaltou: “O que temos de evidência é uma testemunha que diz que ele recebia mesadas de 300 mil. Não há como dizer que é verdade”.
A dificuldade em avançar na confirmação dos valores deve-se a um impasse jurídico no Supremo Tribunal Federal (STF). Em fevereiro, a CPMI chegou a aprovar a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho do presidente Lula sob fortes protestos, mas a medida foi suspensa uma semana depois por decisão do ministro Flávio Dino. Sem o acesso aos dados financeiros, a comissão fica impossibilitada de verificar se os supostos repasses mensais de R$ 300 mil — apontados pela testemunha como parte de um esquema de articulação no INSS — de fato ocorreram.
Por outro lado, a defesa de Lulinha admitiu recentemente ao STF que o empresário pagou as despesas de uma viagem do filho do presidente a Portugal. Contudo, em declaração à CNN Brasil, os advogados negaram categoricamente que Lulinha tenha fechado negócios ou recebido qualquer quantia em dinheiro de Antunes. O caso segue sob intensa disputa política e jurídica, enquanto a CPMI busca novos caminhos para validar os depoimentos colhidos pela Polícia Federal sem infringir a suspensão dos sigilos determinada pela Corte.
