O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, recentemente baleado na cabeça em um atentado, está sob investigação pela morte de João Francisco Silva de Sousa, de 22 anos, ocorrida em janeiro deste ano durante uma operação em Suzano, na Grande São Paulo. De acordo com o inquérito policial militar, o tenente, que é irmão de Eloá, e o cabo Edson Andrade Valério efetuaram, respectivamente, disparos de fuzil e de pistola contra a vítima. O laudo necroscópico confirmou que João faleceu no local devido a uma hemorragia interna causada por quatro tiros que perfuraram o tórax e atingiram órgãos vitais como pulmão, coração, fígado e intestino.
A ação teve início após uma denúncia anônima sobre armazenamento de entorpecentes em Itaquaquecetuba, onde a equipe prendeu um suspeito e apreendeu materiais do tráfico. Esse detido teria indicado uma chácara em Suzano como segundo ponto de armazenamento, local onde ocorreu a morte de João e onde foram localizados 166 tijolos de maconha e porções de cocaína. Embora o tenente alegue que houve confronto e que o jovem reagiu à abordagem portando uma pistola com numeração raspada, as imagens da câmera corporal de Ronickson registram o momento em que ele grita “perdeu, perdeu, ladrão” seguido de tiros, mas o documento oficial não confirma se a vítima chegou a disparar contra os agentes.
Em contrapartida à versão policial, a companheira de João apresentou um relato divergente sobre os fatos. Em depoimento anexado ao caso, ela afirmou que estava no interior da residência quando ouviu barulhos no portão e o companheiro saiu para verificar o que estava acontecendo. Na sequência, os policiais invadiram o local, e ela foi imediatamente retirada do imóvel por um dos agentes, vindo a ouvir os estampidos dos disparos de arma de fogo enquanto já estava sendo conduzida em direção à rua.
Diante do cenário, o inquérito da Polícia Militar concluiu em março que os oficiais agiram em legítima defesa, homologando a ausência de crime. Contudo, o Ministério Público Militar discordou do parecer e defendeu que o caso fosse enviado para a Justiça comum para julgamento pelo Tribunal do Júri, transição efetuada em abril. Agora na esfera civil, o promotor Alexandre Acerbi apontou falhas na apuração e solicitou novas diligências urgentes, destacando a falta de laudos de confronto balístico e de depoimentos formais das testemunhas e dos PMs para de fato esclarecer se houve uso legal da força.
