Investigada por manter idosa trabalhando sem salário será exonerada de cargo público no CE

Douglas Lima
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Zaamarah Alencar Brasil Andrade é servidora da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) de Fortaleza - Foto: Reprodução/Instagram/Divulgação

Zaamarah Alencar Brasil Andrade, uma das investigadas por manter uma idosa de 62 anos em condições análogas à escravidão, será exonerada do cargo que ocupava na Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), órgão vinculado à Prefeitura de Fortaleza.

A secretaria informou que o processo de exoneração foi aberto nesta quarta-feira (8). A servidora exercia a função desde 1º de março de 2017, quando foi nomeada para o cargo.

Zaamarah e outros cinco familiares assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) após uma investigação concluir que a empregada doméstica da família trabalhou por 55 anos sem registro em carteira, remuneração e direito a férias ou descanso remunerado.

Todos os dias, por volta das 4h30, a mulher iniciava a jornada preparando o café da família e cuidando da organização da saída das crianças para a escola. De acordo com a investigação, ela não recebia salário e tinha apenas o benefício do Bolsa Família, cujo saque era feito pela patroa.

Negra e analfabeta, ela teria iniciado a relação de trabalho com a família ainda nos anos 1970, aos sete anos de idade. Ao longo das décadas, ela teria passado por diferentes gerações da mesma família: primeiro, trabalhando para a matriarca; depois, para a filha dela e o marido; e, desde 2014, para a neta, Zaamarah Alencar Brasil Andrade.

A investigação aponta que a senhora vivia sem autonomia: não sabia ler, não tinha conta bancária, não mantinha contato com familiares e não possuía vínculos sociais fora da residência, não tinha amizades no condomínio, não saía sozinha e nunca tido um relacionamento amoroso.

Além da servidora pública, a família empregadora é formada por um casal de aposentados, um advogado, um médico veterinário e uma empregada pública. A vítima de 62 anos, foi resgatada em condições análogas à escravidão em um condomínio de luxo em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A família investigada nega as acusações e afirma que a relação mantida com a idosa ao longo dos anos era baseada em convivência e cuidados. Em nota, a defesa declarou que os fatos divulgados não refletem “a relação de convivência, cuidado e afeto construída ao longo de décadas” e afirmou que a permanência da mulher no núcleo familiar seria incompatível com “conclusões simplificadas” sobre o caso.

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