O Ministério Público Federal (MPF) analisa uma representação contra o policial rodoviário federal Breno Vieira Faria, conhecido nas redes sociais pelo perfil “Café com Teu Pai”. A denúncia, protocolada pela deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) e por duas advogadas, pede a investigação do agente por supostas publicações de teor misógino e discriminatório. Breno, que acumula mais de 1 milhão de seguidores, utiliza a visibilidade digital para compartilhar vídeos sobre comportamento e relacionamentos.
O documento aponta que o influenciador promove a “estereotipação e desqualificação de mulheres” em seus conteúdos. Entre os exemplos citados, destaca-se um vídeo onde ele afirma que mulheres com múltiplos parceiros seriam “vagabundas”, enquanto homens na mesma situação seriam valorizados. Para ilustrar seu pensamento, ele utiliza a analogia de que uma “chave mestra” que abre várias fechaduras é valiosa, mas uma “fechadura que abre por qualquer chave não presta para nada”.
Além das comparações pejorativas, o material enviado ao MPF detalha vídeos em que o policial sugere que as mulheres devem adotar posturas “doces” e evitar confrontos diretos com seus parceiros. Em algumas dessas publicações, ele chega a comparar as dinâmicas de relacionamento a técnicas de reforço comportamental utilizadas no treinamento de animais, o que, segundo as autoras da representação, reforça discursos de submissão e preconceito.
A escolha do nome do perfil, “Café com Teu Pai”, também é mencionada como uma estratégia que faz alusão direta à obra religiosa “Café com Deus Pai”, embora não exista qualquer ligação oficial entre o influenciador e o projeto espiritual. A representação questiona se a conduta do servidor público, ao disseminar tais visões de mundo com ampla audiência, fere os princípios éticos esperados de um membro da Polícia Rodoviária Federal.
Até o momento, Breno Vieira Faria não se manifestou sobre a representação ou sobre as acusações de misoginia. O espaço para sua defesa permanece aberto, enquanto o Ministério Público avalia se os conteúdos publicados nas redes sociais ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram práticas discriminatórias que exigem sanções judiciais ou administrativas.
