A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) negou veementemente ter praticado “qualquer ato ilícito” após tornar-se alvo da Operação Indébito, que investiga descontos indevidos em benefícios do INSS. Em nota oficial, a parlamentar afirmou que as acusações “não refletem a realidade dos fatos” e defendeu que sua trajetória de mais de 40 anos na vida pública sempre foi pautada pela integridade. Ela reiterou seu compromisso com a transparência e disse estar confiante no devido processo legal para esclarecer as suspeitas.
Apesar da defesa, o ministro do STF André Mendonça impôs medidas cautelares rigorosas, como o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar noturno. O magistrado destacou a existência de “inúmeros indícios” de que a deputada seria uma peça relevante na engrenagem criminosa, embora tenha negado o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Federal. Segundo a investigação, Gorete atuaria no núcleo central do esquema, controlando associações que aplicavam descontos não autorizados em aposentadorias.
A Polícia Federal aponta que a deputada exercia um papel de articulação política e operacional, utilizando sua influência para acelerar a ativação de entidades junto a altos diretores de órgãos públicos. A investigação sugere que ela facilitava o trâmite das fraudes e, em troca, recebia vantagens indevidas. O relatório cita o uso de empresas ligadas à parlamentar e a seus familiares como estratégia para a lavagem de dinheiro e a ocultação de patrimônio obtido ilicitamente.
Entre as provas citadas na decisão, constam movimentações financeiras expressivas e mensagens interceptadas entre outros investigados. Um dos registros mais graves é uma tabela de propina onde consta o valor de R$ 780.433,50 vinculado ao nome da deputada, além de um diálogo em que o empresário Natjo de Lima Pinheiro afirma: “E GORETE ganhando 1,5 milhão”. Essas evidências reforçam a tese de que a parlamentar recebia quantias vultosas para garantir o funcionamento do sistema de descontos fraudulentos.
