O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou publicamente ter visitado o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em sua residência em São Paulo no final de 2025. O encontro ocorreu logo após Vorcaro ter sido solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que substituiu sua prisão preventiva por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar o estado. Em pronunciamento à imprensa nesta terça-feira (19/5), em Brasília, o parlamentar justificou a agenda afirmando que foi ao local para encerrar qualquer relação comercial, alegando que, se soubesse da gravidade da situação jurídica do empresário, teria buscado outro investidor para evitar riscos de imagem. Informações do portal Metrópoles.
A primeira prisão do banqueiro aconteceu em novembro de 2025, quando a Polícia Federal o deteve no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para o exterior, apenas dois dias antes de o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. Embora tenha obtido a liberdade provisória pouco tempo depois, a situação de Vorcaro se agravou drasticamente em 4 de março de 2026. Ele foi preso novamente por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, sob a justificativa de que havia um risco concreto de interferência nas investigações criminais em andamento.
Os desdobramentos da operação policial revelaram que o dono do Banco Master mantinha uma estrutura paralela de segurança descrita como uma milícia pessoal. Esse grupo era comandado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, e tinha acesso ilícito a dados sigilosos e relatórios confidenciais da própria Polícia Federal. A descoberta dessa rede de influência ilegal foi o estopim que fundamentou o novo mandado de prisão preventiva emitido pela Suprema Corte contra o banqueiro.
As justificativas do senador Flávio Bolsonaro surgem na esteira de revelações feitas na semana passada pelo site Intercept Brasil, que divulgou áudios e mensagens interceptadas entre o parlamentar e o empresário. Os arquivos demonstram que Flávio cobrava ativamente o patrocínio de Vorcaro para a produção de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O registro das comunicações mostra que uma das cobranças financeiras mais explícitas foi enviada no dia 16 de novembro de 2025, exatamente um dia antes da primeira operação que prendeu o banqueiro.
