Uma trabalhadora doméstica filipina de 50 anos denunciou à Polícia Federal (PF) ter sido submetida a condições análogas à escravidão pela consulesa honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, em sua residência em São Paulo.
A mulher foi resgatada no último dia 6 por agentes da Polícia Militar (PM) na casa de Siham, após denúncia recebida pela Associação da Comunidade Filipina. Em depoimento na delegacia, a funcionária relatou ter sido submetida a jornadas exaustivas sem folgas ou férias, além de ser impedida de deixar a casa da empregadora, com seus documentos retidos.
Em nota, Harati afirmou que a trabalhadora filipina esteve sob sua contratação por mais de 12 anos, inicialmente no Líbano, com vínculo regular como auxiliar de serviços gerais e contrato renovado anualmente conforme a legislação. Segundo ela, a doméstica recebeu salário mensal médio de US$ 550 (cerca de R$ 2.915), além de moradia, alimentação, assistência médica e outras despesas integralmente custeadas. A cônsul também negou ter restringido a liberdade da mulher ou retido seus documentos.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma investigação formal após a denúncia, classificando o caso como tráfico de pessoas para trabalho em condições análogas à escravidão. A denúncia também chegou ao Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, que informou estar acompanhando o caso, mas destacou que a consulesa honorária não integra o quadro diplomático regular, o que limita sua atuação em assuntos relacionados ao governo brasileiro.
