O caso da morte de Ana Luiza Mateus, candidata ao Miss Cosmo, tomou rumos trágicos e complexos após o principal suspeito, seu namorado Endreo Lincoln Ferreira, ser encontrado morto em uma cela da Delegacia de Homicídios da Capital. Antes de falecer, em um cenário que a Polícia Civil indica como suicídio por asfixia, Endreo foi interrogado pelo delegado Renato Martins. Embora não tenha confessado formalmente o feminicídio, o suspeito repetiu diversas vezes que era “culpado”, revelando um histórico de violência moral e psicológica contra a modelo.
As investigações conduzidas pelo delegado Martins, que também foi encontrado morto posteriormente, descreviam Endreo como um homem de “ciúme doentio” e obsessivo. O comportamento possessivo era focado na aparência de Ana Luiza e em suas interações sociais, criando um ambiente de controle absoluto. O estopim para a tragédia, que culminou na queda da vítima do 13º andar de um prédio na Barra da Tijuca, teria sido a decisão da jovem de 29 anos de encerrar o relacionamento conturbado de apenas três meses.
Além do perfil abusivo, a polícia reuniu evidências de que o suspeito tentou manipular a cena do crime logo após a queda da modelo. Relatos indicam que Endreo teria “mexido no corpo” e tentado fugir pelas portas dos fundos do edifício, ações que caracterizam violação da cena e comprometimento de provas periciais. Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi o fato de ele ter apresentado o documento de identidade do próprio irmão no momento da prisão em flagrante.
O cenário traçado pelos investigadores, baseado em depoimentos de testemunhas e análise de mensagens, reforça a linha de violência de gênero e feminicídio. O histórico consistente de conflitos e agressividade de Endreo confirmava uma escalada de abusos que a polícia buscava formalizar. Com as sucessivas mortes dos envolvidos e do próprio delegado do caso, o episódio encerra um capítulo sombrio marcado por possessividade extrema.
