Em entrevista exclusiva ao programa “X da Questão”, no canal do jornalista Paulo Mathias no YouTube, o advogado José Miguel da Silva Júnior subiu o tom contra a cúpula do Governo de São Paulo. Representante da família da policial militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, o jurista criticou duramente a gestão da segurança pública após a decisão de aposentar o oficial — agora réu por feminicídio — com salário integral de aproximadamente R$ 21 mil mensais.
O advogado direcionou críticas diretas ao governador Tarcísio de Freitas, classificando sua postura como “política demais” e “demagógica” diante da gravidade do caso. Para Silva Júnior, as declarações do governador sobre “cortar na carne” contrastam com a omissão histórica da instituição em relação ao comportamento do oficial.
“Se falhou o comando-geral da Polícia Militar, falhou o senhor secretário de Segurança e falhou o senhor governador. O histórico deste assassino em cometer assédio moral e sexual contra subordinadas é antigo. Todos tinham conhecimento e o senhor governador aguardou até o final para vir com um discurso demagógico”, afirmou o advogado.
José Miguel ressaltou que a mobilização da mídia e a pressão dos familiares foram os únicos motores que impediram a impunidade, contestando a narrativa de eficiência do Estado. Segundo ele, o crime era evitável, uma vez que o histórico de abusos do tenente-coronel já era de conhecimento da corporação e do governo.
“Deveria-se ter vergonha de se pagar o que se paga para um policial militar e o governo deveria impor uma assistência à família dessas vítimas. Quem comanda falhou e tem que assumir que errou. Como você coloca um homem desse em um comando, sendo que ele já estava cometendo abusos e possuía condenações por assédio moral e humilhação?”, questionou o defensor.
A defesa encerrou pontuando que, embora mantenha enorme respeito pela instituição da Polícia Militar, não aceitará que a tragédia seja utilizada como plataforma política. Segundo o advogado, a família permanece “destroçada” enquanto o Estado continua falhando em prevenir delitos abusivos cometidos por seus próprios oficiais de alto escalão.
