A estreia de Erika Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara foi marcada por tensão e embates com parlamentares da oposição. A sessão começou com a presidente informando que alguns requerimentos não foram incluídos na pauta por “critérios técnicos”, o que gerou críticas e acusações. Entre os pedidos barrados estava uma moção de repúdio a falas da própria Hilton, além de uma moção de apoio ao apresentador Ratinho, que havia questionado a eleição da deputada e afirmado que “para ser mulher tem que ter útero e menstruar”.
Hilton defendeu que a exclusão dos requerimentos se deu por inadequações regimentais, sem análise de mérito, e anunciou que solicitará reavaliação técnica para possível inclusão na pauta da próxima reunião. A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) criticou a medida, alegando que cerceia as prerrogativas dos membros e que os requerimentos tratam de temas relevantes. A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) defendeu a condução dos trabalhos e pediu que os conflitos fossem deixados de lado para que a comissão avançasse na análise dos projetos previstos.
Mesmo com a tentativa de pacificar o debate, as discussões continuaram, e a sessão precisou ser suspensa por alguns minutos para que os integrantes pudessem definir pautas de consenso e seguir a reunião de forma ordenada. A tensão evidencia o clima político delicado na comissão diante da eleição de uma mulher trans para a presidência e das disputas sobre direitos e representatividade de gênero.
