Eduardo pede reação imediata da campanha de Flávio após caso Vorcaro

Nayara Vieira
4 min de leitura
Eduardo pede reação imediata da campanha de Flávio após caso Vorcaro (Foto: Redes sociais)

O cenário político foi movimentado pela cobrança pública do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em relação à postura da pré-campanha presidencial de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao canal Paulo Figueiredo Show, Eduardo defendeu a necessidade urgente de criar um gabinete de gerenciamento de crises que seja mais ágil e engajado para responder aos ataques dos adversários. A declaração surge em um momento delicado, logo após virem a público áudios que ligam o pré-candidato a movimentações financeiras polêmicas, acendendo o alerta no núcleo familiar e político dos Bolsonaro.

O estopim da crise foi a divulgação, pelo portal The Intercept Brasil, de conversas gravadas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do extinto Banco Master. Os diálogos revelam a negociação de um repasse expressivo de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões), dos quais pelo menos US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente transferidos em meados de 2025. Segundo as investigações, o montante teria como destino o financiamento de “Dark Horse”, um longa-metragem sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora a produtora responsável pelo filme negue o recebimento de verbas oriundas da instituição financeira.

Além do financiamento da obra audiovisual, o caso ganhou contornos mais graves devido a suspeitas de desvio de finalidade dos recursos. Documentos apontam que US$ 2 milhões do total negociado foram direcionados para o Havengate Development Fund LP, um fundo sediado no Texas e administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. Paira a suspeita de que parte dessa quantia tenha sido utilizada para custear despesas pessoais do próprio ex-deputado em solo americano. Eduardo, contudo, rechaçou veementemente as acusações durante a entrevista, assegurando que não possui qualquer vínculo com o fundo mencionado e que nunca foi bancado pelo ex-banqueiro.

Apesar do desgaste provocado pelo vazamento, Eduardo Bolsonaro foi categórico ao afastar qualquer possibilidade de recuo na disputa pelo Palácio do Planalto, classificando como “zero” a chance de desistência do irmão. Para o ex-parlamentar, a presença de Flávio na corrida eleitoral é indispensável para a oposição, argumentando que, respeitando os demais nomes da direita, o senador é o único candidato com capital político suficiente para enfrentar e derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas.

Por outro lado, a defesa de Flávio Bolsonaro busca minimizar a proximidade com o empresário, que chegou a ser preso pela Polícia Federal no final de 2025. Em declarações recentes à CNN, o senador justificou o teor íntimo das mensagens — nas quais chamava o investigado de “irmão” e prometia apoio incondicional — como sendo apenas uma manifestação do “jeito carioca de falar”. A linha de defesa foca em consolidar a narrativa de que a relação era estritamente profissional e voltada para a captação de investimentos privados para o setor cultural, tentando estancar o impacto negativo na imagem do pré-candidato.

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