A notícia de que Suzane von Richthofen, 42 anos, será a estrela de um novo documentário da Netflix acendeu um intenso debate sobre os limites do entretenimento e o lucro sobre o crime. Condenada a 39 anos de prisão por orquestrar o assassinato dos pais, Manfred e Marísia, em 2002, Suzane cumpre regime aberto desde janeiro de 2023. Agora, sua trajetória e os detalhes do crime que chocou o Brasil serão narrados em uma produção que, segundo bastidores, envolve cifras astronômicas.
Durante o programa Melhor da Tarde, na Band, o jornalista Leo Dias não poupou críticas à transação financeira por trás do projeto. “A Netflix não paga pouco não. Eu falo por baixo: menos de R$ 1 milhão não é”, afirmou o apresentador. Ainda no programa, Leo Dias questionou a moralidade de se obter lucro em cima de uma tragédia familiar e um ato contra a lei, levantando a dúvida se, no final das contas, o crime acabou “compensando” financeiramente para a egressa de Tremembé.
A apresentadora Chris Flores também repercutiu o caso, endossando a visão de que o ganho financeiro de Suzane é exorbitante. O histórico de monetização da imagem de Richthofen não é novo: relembrou-se que, anos atrás, Gugu Liberato teria pago R$ 120 mil por uma entrevista exclusiva. Além do cachê milionário da plataforma de streaming, especula-se que Suzane ainda possa ter acesso a uma herança de cerca de R$ 5 milhões vinda de um tio, consolidando uma situação financeira confortável fora das grades.
O documentário promete mergulhar nos detalhes da mente de Suzane e nos desdobramentos de sua vida atual no interior de São Paulo. No entanto, o anúncio reforça uma divisão na opinião pública: de um lado, a curiosidade pelo gênero true crime; de outro, a indignação de especialistas e jornalistas, como Leo Dias, que veem na espetacularização do assassinato uma forma de recompensar financeiramente alguém que cometeu um dos crimes mais bárbaros da história recente do país.
