O empresário e ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, avançou nas tratativas para a formalização de um acordo de delação premiada, sinalizando a intenção de restituir até R$ 40 bilhões aos cofres públicos em um período de dez anos. Segundo informações do jornal Valor Econômico, a proposta visa cobrir aproximadamente dois terços do montante estimado na fraude financeira investigada.
Um dos pontos centrais da oferta inicial seria o repasse imediato de mais de R$ 3 bilhões, destinados especificamente a sanar déficits em regimes de previdência estaduais e municipais atingidos pelo esquema. Para a Polícia Federal, o depoimento de Vorcaro é considerado fundamental para mapear a estrutura operacional do banco e identificar nomes de relevância política e econômica que teriam viabilizado o que já é apontado como uma das maiores fraudes do sistema financeiro nacional.
No entanto, a viabilidade do acordo encontra obstáculos no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do caso, ministro André Mendonça, tem demonstrado resistência ao cronograma de pagamentos estendido. A avaliação técnica nos bastidores indica uma preferência por prazos mais curtos, ainda que com valores totais reduzidos, para evitar a insegurança jurídica de revisões ou anulações futuras, fenômeno observado em acordos de operações anteriores, como a Lava Jato e o Mensalão.
Além do impasse sobre o prazo, os órgãos de investigação mantêm cautela quanto à liquidez dos ativos oferecidos. Há questionamentos sobre se o empresário possui, de fato, o controle integral dessa fortuna ou se os recursos, supostamente sem lastro real, seriam parte de uma estrutura de ocultação de patrimônio pertencente a terceiros. O receio é que Vorcaro atue como “laranja” em um esquema de proporções ainda maiores.
O cenário coloca as autoridades diante de um dilema estratégico: aceitar uma promessa de recuperação recorde sob o risco de inadimplência futura, ou priorizar punições imediatas com retornos financeiros menores. A defesa de Vorcaro deve protocolar a proposta formal nos próximos dias, momento em que o Ministério Público e o Judiciário deverão decidir se homologam os termos da colaboração.
