Há pouco mais de um ano, iniciou-se a discussão se valeria a pena pro SBT comprar a Copa do Mundo. Chegaram a dizer que a aquisição lhes dariam um rombo histórico, que seriam a nova TV Manchete e que ninguém iria ligar tendo Globo e CazéTV, tradicional e o atual, como concorrentes. A resposta está dada. O SBT cresceu aos olhos do público, da critica e do mercado com esta Copa. E isso feito sendo ele próprio. Claro, com profissionais excelentes com passagens pela própria Globo, mas que se adequaram ao jeito SBT de fazer televisão. Por isso deu certo. Sem o modo correto e polido da emissora carioca e sem a resenha completa da Cazé.
O melhor exemplo disso é o pré-jogo dos jogos do Brasil, o “Torcida SBT”, comandado por Tiago Leifert e que contou com Murilo Couto na equipe. Ali, vimos um Leifert nunca antes visto, que se jogava em tudo que é brincadeira, que imitou o Haaland num concurso de sósias, que virou o melhor amigo do Carlinhos Vidente na “Copa dos Videntes” e que foi vítima de Sérgio Mallandro na “Porta dos Desesperados”. E tudo isso Tiago fez com maestria. Vestiu a camisa da casa. Claro, aqui muitos méritos também à equipe do “The Noite”, comandada pelo diretor João Mesquita, que criou e conduziu o programa, que repercutiu além do esperado.
Ainda sobre Leifert, ele fez muita gente pagar com a língua nessa Copa. Provou que é sim narrador de futebol e fez partidas de alto nível, com muito mais elogios que críticas nas redes. Foi uma virada bem legal de ver. Sobre Galvão, esse dispensa comentários, é o mestre das narrações e com certeza foi um dos fatores que mais chamou público para o SBT nos jogos do Brasil, que chegaram a 15 pontos. 5 a mais do que os 10 esperados pela direção. Mas, de todo jeito, vimos um Galvão Bueno diferente. O mesmo “reclamão”, mas ainda mais solto e leve, como manda o figurino da emissora. Tudo ornava com a essência da casa.
Os comentaristas também precisam ser citados. Mauro Beting é um dos melhores comentaristas da história, Nadine Bastos é uma baita árbitra e foi muito bem utilizada, Juninho Paulista fez boas trocas com Leifert, Muricy Ramalho mostrou tudo que sabe, Alexandre Pato cresceu absurdamente e se soltou, mas, pessoalmente, a grande surpresa foi Raphael Rezende. Sempre preciso, com uma energia excelente e uma fala extremamente acessível pra qualquer público. O “Vem Pro Jogo” também merece elogios. Era o lugar correto para análises mais técnicas e fizeram isso com a ajuda de um telão enorme no piso, que enriqueceu visualmente e em conteúdo. Aliás, que capricho de cenário.
O “Balanço da Copa”, com Carol Barcellos e Walace Neguerê, teve boas edições, mas poderia ter chamado mais atenção. Faltou um pouco do “Torcida” ao “Balanço”. A dupla de apresentadores deu liga, além de Mano e Pedrinho terem sido comentaristas que deram esse tom popular que precisava. A parte técnica e estética também surpreendeu. O que não encaixou tão bem foi apostar em pautas que focam muito em análises táticas. É excelente e as discussões são boas, mas não conversa muito bem com o público do “Programa do Ratinho” e “The Noite”.
Em resumo, vimos um SBT unido, que queria fazer isso dar certo e viu os jornalistas elogiarem a cobertura, 12 marcas abraçarem o projeto e o público comprar a ideia, alcançando mais de 90 milhões de pessoas desde o início da Copa do Mundo e isso com apenas 1 jogo por dia. Entregaram qualidade, técnica, visual acima da média, mas, principalmente, com a essência que a casa tem. O diferencial. Então sim, a emissora sai do torneio maior do que entrou.
