O governo Lula retomou os debates sobre a possível revogação da “taxa das blusinhas”, que incide sobre compras internacionais de até US$ 50, após a ministra Simone Tebet sinalizar que o impacto fiscal de uma eventual renúncia seria administrável. A medida, sancionada em 2024 sob o argumento de proteger o varejo nacional, passou a ser reavaliada pelo Palácio do Planalto devido ao seu forte impacto negativo na opinião pública e ao baixo retorno arrecadatório frente ao desgaste político gerado.
O movimento ganha força diante de pesquisas que apontam uma rejeição de 62% da população à taxa, consolidando-a como uma das ações menos populares da atual gestão. Com a aprovação do governo oscilando e o cenário eleitoral de 2026 já no horizonte, a percepção interna é que a manutenção do imposto pune diretamente o consumidor de baixa e média renda, tornando-se uma ferramenta de desgaste explorada tanto pela oposição quanto por parlamentares da base.
A fala de Tebet alterou o eixo técnico da discussão, enfraquecendo a narrativa de que a arrecadação seria indispensável para o equilíbrio das contas públicas. Ao tratar o montante como “baixo”, a ministra abriu caminho para que o cálculo político prevaleça sobre o econômico, permitindo que o governo considere abrir mão do recurso em troca de uma recuperação na sua imagem popular, especialmente em um momento de atenção redobrada aos itens que afetam o custo de vida.
Contudo, o recuo não é isento de riscos, pois exige um equilíbrio delicado com os setores da indústria e do varejo brasileiro que pressionaram pela taxação em busca de isonomia competitiva. Até o momento, não houve anúncio oficial de mudança na regra, mas a discussão central no Planalto deixou de ser meramente tributária para se tornar uma estratégia de contenção de danos à popularidade do presidente, avaliando se o custo político de manter a taxa não superou o benefício econômico.
