Caso Unicamp: PF apura se casal tentou vender vírus furtados

Nayara Vieira
2 min de leitura
Caso Unicamp: PF apura se casal tentou vender vírus furtados (Reprodução: Redes sociais/ Arte: Portal do Paulo Mathias)

A Polícia Federal iniciou uma investigação para apurar se a professora doutora Soledad Palameta Miller e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, planejavam comercializar amostras biológicas furtadas de um laboratório de nível de biossegurança NB-3 da Unicamp. Embora a corporação ainda não possua elementos concretos que confirmem a tentativa de venda, a hipótese é um dos focos do inquérito. O casal é sócio na empresa Agrotrix Biotech Solutions, cujo objeto social é a pesquisa e o desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais.

O caso envolve o desvio de ao menos 24 cepas diferentes de vírus, que foram retiradas do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia (IB) e levadas para outras dependências da universidade. Entre os locais que receberam o material sem autorização estavam laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), unidade onde a professora Soledad exercia suas atividades acadêmicas. As amostras foram recuperadas pela Polícia Federal dentro do campus, e os agentes descartaram, até o momento, qualquer indício de contaminação externa ou ameaça de terrorismo biológico.

Atualmente, Soledad Palameta Miller responde ao processo em liberdade, enquanto a Unicamp conduz uma sindicância interna para avaliar as irregularidades administrativas. Em sua defesa, a pesquisadora negou a prática de furto, alegando que utilizava o laboratório do Instituto de Biologia apenas por não possuir a estrutura técnica necessária em seu setor de origem para realizar seus estudos. A defesa sustenta que não há materialidade de crime nas ações da docente.

Enquanto a investigação prossegue, Michael Edward Miller também é monitorado como suspeito de participação no esquema. Até o fechamento desta reportagem, o g1 não havia conseguido estabelecer contato com a defesa do veterinário para registrar seu posicionamento sobre as acusações. A Polícia Federal continua analisando o material apreendido e o histórico de atividades da Agrotrix para determinar se houve movimentação financeira atípica ou contatos para a exportação e comercialização ilegal das cepas.

MARCADO:
Compartilhar este artigo