Caso PM Gisele: Tenente-coronel acusado de matar esposa se dizia “macho alfa” e exigia submissão

Nayara Vieira
2 min de leitura
Caso PM Gisele (Foto: Reprodução)

O tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto foi preso nesta quarta-feira (18), acusado de matar sua esposa, a soldado Gisele Santana, há cerca de um mês. A prisão foi decretada pela Justiça após a perícia do Instituto de Criminalística extrair mensagens do celular do oficial que revelaram um histórico sistemático de humilhações, machismo e violência psicológica. Com base no relatório de inteligência de 82 páginas, o oficial tornou-se réu por feminicídio e fraude processual, sendo encaminhado ao presídio Romão Gomes, em São Paulo.

O material periciado expõe uma rotina de controle excessivo e abusivo sobre a vida de Gisele. Geraldo monitorava as redes sociais da esposa, exigindo a exclusão de contatos e criticando fotos em que ela aparecia sozinha. Em diálogos recuperados, a soldado chegava a questionar o fato de não ter mais ninguém em sua lista de amigos devido às intervenções do marido. O oficial impunha uma dinâmica de submissão, utilizando termos como “macho alfa” e “fêmea beta obediente” para reforçar sua autoridade sobre a vítima.

As investigações apontam que Gisele tentou romper o relacionamento diversas vezes nos dias anteriores ao crime, enviando mensagens afirmando que a admiração havia acabado e que desejava a separação. Em resposta, Geraldo demonstrava possessividade extrema, declarando que ela “jamais” estaria solteira enquanto estivesse casada com ele. O relatório da Polícia Civil destaca que qualquer menção à liberdade era combatida pelo indiciado com proibições, chantagens financeiras e regras de conduta que limitavam a autonomia da soldado.

Desde o início do inquérito, o tenente-coronel tentou inverter a narrativa, alegando que Gisele era a parte ciumenta da relação e negando que ela tivesse pedido o divórcio. No entanto, os prints coletados pelos investigadores desmentem essa versão, comprovando que a violência doméstica era uma constante no cotidiano do casal. Para as autoridades, o crime foi o desfecho trágico de um ciclo de opressão em que o acusado não admitia a perda do controle sobre a vida e as escolhas da esposa.

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