Coronel nega acusações sobre morte da esposa Gisele em entrevista a Cabrini

Nayara Vieira
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Caso PM Gisele: Coronel nega acusações sobre morte da esposa em entrevista a Cabrini (Foto: TV Record)

Em uma entrevista marcada pela tensão, o jornalista Roberto Cabrini colocou frente a frente o coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, e as graves suspeitas que o cercam no caso da morte de sua esposa, a PM Gisele Alves Santana. O oficial, que se vê no centro de uma investigação que oscila entre as teses de suicídio e feminicídio, enfrentou questionamentos incisivos sobre o que de fato ocorreu no apartamento do casal, onde Gisele foi encontrada com um disparo fatal na cabeça.

Durante a conversa exclusiva, o coronel Neto rechaçou com veemência as acusações de comportamento abusivo e agressões. Ele descreveu um cenário de desgaste conjugal motivado por denúncias anônimas, o que teria levado o casal a adotar uma rotina de distanciamento, dormindo em quartos separados desde julho do ano anterior. O oficial também rebateu os relatos de ciúme possessivo, garantindo que jamais exerceu controle sobre a aparência ou as escolhas cotidianas da esposa, tentando desconstruir a imagem de um ambiente doméstico pautado pela vigilância.

Um dos pontos mais críticos da entrevista foi a cronologia daquela noite. Neto foi confrontado com depoimentos de testemunhas que afirmam ter ouvido o som de um tiro consideravelmente antes do pedido formal de socorro, uma divergência que levanta suspeitas sobre uma possível omissão ou manipulação da cena. O coronel contestou tais relatos, enquanto sua defesa, conduzida pelo advogado Eugênio Malavasi, sustenta a improbabilidade de qualquer envolvimento criminoso do oficial, reforçando a tese de que Gisele teria atentado contra a própria vida.

No campo pericial, o caso ganha contornos complexos com os novos laudos que apontam lesões no rosto e pescoço da soldado. Embora especialistas não tenham identificado sinais inequívocos de defesa, a presença dessas marcas alimenta as dúvidas dos investigadores da Polícia Civil. Enquanto a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mantém o sigilo rigoroso das investigações, o embate entre as evidências técnicas e o depoimento do coronel permanece como o centro deste drama que chocou a corporação paulista.

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