Caneta brasileira de semaglutida chega este mês e custará a partir de R$ 452

Nayara Vieira
3 min de leitura
Caneta brasileira de semaglutida chega este mês e custará a partir de R$ 452 (Foto: Divulgação)

A farmacêutica EMS definiu o preço de lançamento da primeira caneta de semaglutida 100% brasileira, que chegará ao mercado a partir do dia 15 de junho. O medicamento começará a ser vendido por R$ 452, mas a empresa preparou uma estratégia agressiva de descontos para o início do tratamento. Nos três primeiros meses, um combo com doses suficientes para os 90 dias sairá por R$ 863,23 — o que reduz o custo médio mensal para cerca de R$ 287. A partir do quarto mês, o valor da caneta individual passará a ser de R$ 498, e há ainda um pacote futuro com duas unidades de 1,0 mg planejado por R$ 896.

Essa estreia representa um marco para o bolso dos pacientes, trazendo valores que chegam a quase metade do que é praticado atualmente no mercado, onde o tratamento com o produto de referência pode alcançar R$ 1 mil mensais. Embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tivesse autorizado a EMS a cobrar até R$ 800 pelo produto (teto semelhante ao praticado pela Novo Nordisk), a fabricante nacional optou por cumprir a promessa de oferecer uma alternativa significativamente mais barata para ampliar o acesso à terapia contra a obesidade.

A chegada do medicamento atende a uma demanda urgente de saúde pública, visto que a inclusão da semaglutida no SUS já havia sido rejeitada anteriormente devido ao seu alto custo. O anúncio dos valores foi feito durante um evento fechado para médicos e profissionais do setor. Para dar conta da expectativa gerada no país, a EMS planeja um robusto primeiro ciclo de abastecimento, injetando mais de 500 mil canetas nas redes de farmácias de todo o território nacional.

A novidade consolida um novo cenário competitivo disparado pela queda da patente da Novo Nordisk, antiga detentora exclusiva da tecnologia. A movimentação da EMS reflete uma forte reação do mercado nacional, que já conta com pelo menos 17 pedidos de genéricos ou similares em análise na Anvisa. Diante dessa concorrência, outras gigantes do setor — incluindo a própria Novo Nordisk e a Eurofarma (com as marcas Extensior e Poviztra) — já começaram a reduzir seus preços, fazendo com que as doses iniciais da substância hoje flutuem entre R$ 399 e R$ 599 nas farmácias.

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