Atraso na Coronavac custou caro: TCU aponta prejuízo de R$ 260 milhões

Nayara Vieira
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O prejuízo financeiro apurado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no processo de aquisição da vacina Coronavac em 2023 é estimado em, no mínimo, R$ 260 milhões. Esse montante decorre da incineração de 8 milhões de doses que perderam a validade sem sequer sair dos armazéns do Ministério da Saúde. A auditoria técnica aponta que o impacto total pode atingir quase a totalidade do contrato de R$ 330 milhões, uma vez que a imensa maioria dos imunizantes adquiridos não chegou ao braço da população.

A principal causa desse rombo aos cofres públicos foi a “excessiva demora” e a morosidade na condução da compra, que se estendeu por sete meses. De acordo com o relatório, o Instituto Butantan alertou oficialmente o Ministério da Saúde em duas ocasiões — maio e setembro de 2023 — sobre o risco iminente de o prazo útil dos lotes, fabricados em março, ser consumido pela lentidão contratual. Essa falta de agilidade resultou na recepção de produtos com validade curta em um período onde o imunizante já estava em desuso no SUS.

O prejuízo foi agravado por uma decisão administrativa que isentou o fornecedor da obrigação de substituir frascos com validade inferior à exigida no contrato. Para o TCU, ao aceitar as vacinas sem essa garantia de troca dias antes de recebê-las, a pasta assumiu deliberadamente o risco do desperdício. Essa falha na coordenação da contratação é um dos pontos centrais da investigação que busca responsabilizar ex-diretores da área de compras do ministério.

A dimensão do desperdício é evidenciada pela taxa de utilização irrelevante dos lotes distribuídos. Das cerca de 2 milhões de doses enviadas aos estados, apenas 260 mil foram aplicadas, o que pode representar uma perda real de até 97% de todo o material adquirido. Embora o ministério tenha alegado que a baixa procura foi fruto de campanhas de desinformação, o TCU rejeitou o argumento, pontuando que a própria pasta já sabia da baixa adesão popular, o que tornava a formação de grandes estoques injustificável.

Em sua defesa, o Ministério da Saúde justificou o cenário citando o “completo abandono dos estoques” herdado da gestão anterior e as incertezas globais sobre novas variantes. No entanto, o tribunal manteve o foco na morosidade ativa dos gestores da época como fator determinante para o prejuízo milionário. O caso segue sob análise da Corte de Contas, que decidiu cobrar explicações diretas dos responsáveis pela condução do processo que resultou na incineração em massa de recursos públicos.

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