A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) convocou os presidentes das federações estaduais para uma reunião estratégica nesta quarta-feira (27). Embora o encontro já estivesse programado para debater as eleições presidenciais, a pauta ganhou urgência após o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso Master, ligado a Daniel Vorcaro.
Visto até então como o candidato favorito do agronegócio para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio teve sua confiança e credibilidade abaladas perante o setor, segundo informações da CNN Brasil. Lideranças dos bastidores relatam que, apesar do histórico de denúncias contra o senador, o agro havia apostado nele devido à ampla rejeição ao atual governo, mas agora vê o processo de recuperação de sua imagem como um desafio difícil.
Diante da crise na campanha de Flávio, o setor começou a mapear nomes alternativos, embora encontre ressalvas em todas as opções viáveis. O governador Ronaldo Caiado (PSD), apesar de ser uma liderança histórica, é visto como sem força para emplacar a candidatura. Já Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) despontam como herdeiros naturais desses votos, mas enfrentam resistências: Zema é limitado por declarações polêmicas sobre o Nordeste, e Renan é encarado como uma “aventura” eleitoral. Uma composição envolvendo a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também é cogitada, mas esbarra na rejeição do próprio Jair Bolsonaro. Caso nenhuma alternativa se consolide, o agro projeta caminhar para um voto, ainda que “envergonhado”, em Flávio.
Além da disputa presidencial, a reunião da CNA focará na reestruturação de sua força no Congresso Nacional a partir de 2027. O principal objetivo é elevar o grau de fidelidade dos parlamentares à pauta ruralista, corrigindo distorções atuais. Há um incômodo generalizado com o fato de que muitos membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sinalizam apoio à PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, uma medida rigidamente rejeitada pelo setor por impactar diretamente a dinâmica produtiva no campo. Das cerca de 350 cadeiras que a FPA ocupa hoje no Legislativo, estima-se que apenas entre 30 e 50 parlamentares sejam de fato fiéis e combativos na defesa dos interesses do agronegócio.
Para reverter esse cenário, a CNA pretende coordenar uma ação conjunta entre as federações e seus mais de 2.000 sindicatos para impulsionar candidatos estritamente alinhados com o setor. Como o engajamento político atual varia muito entre as regiões, a entidade busca padronizar o apoio logístico e regional durante a campanha. Para garantir a segurança jurídica dessa mobilização em massa, o advogado da CNA, Carlos Bastide, fará uma apresentação técnica detalhada delimitando as fronteiras de atuação permitidas pelas federações e sindicatos, assegurando que o suporte aos candidatos ocorra em estrita conformidade com a legislação eleitoral vigente.
