O Irã ainda não anunciou oficialmente quem integrará sua delegação nas negociações com os Estados Unidos previstas para este fim de semana, em Islamabad, no Paquistão, em meio a um cenário de forte tensão geopolítica. As conversas do lado americano devem ser conduzidas pelo vice-presidente JD Vance, além de Steve Witkoff e Jared Kushner. A indefinição iraniana ocorre após uma série de ataques recentes dos EUA e de Israel que atingiram figuras-chave do regime, incluindo autoridades envolvidas em negociações anteriores e até o antigo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Apesar do silêncio oficial, três nomes aparecem como principais cotados para representar Teerã nas tratativas. Entre eles está Mohammad Bagher Ghalibaf, atual presidente do Parlamento iraniano e ex-prefeito de Teerã, que tem atuado como interlocutor relevante com a administração americana durante o conflito. Com histórico ligado à Guarda Revolucionária Islâmica e à repressão de dissidentes, Ghalibaf é visto como uma figura com forte alinhamento ao regime. Segundo especialistas, ele reúne características valorizadas internamente, como experiência militar, conexões políticas e pragmatismo voltado à preservação do poder iraniano.
Outro nome mencionado é o do chanceler Abbas Araghchi, reconhecido por sua postura firme, porém pragmática, e por sua participação nas negociações que resultaram no acordo nuclear de 2015. Apesar de já ter demonstrado abertura ao diálogo com os Estados Unidos, Araghchi também é apontado como defensor do regime e apoiador de ações repressivas recentes contra manifestantes. A indefinição sobre a composição da delegação reforça as incertezas em torno das negociações e evidencia o momento delicado vivido pelo Irã no cenário internacional.
