O governo do Irã convocou jovens a participarem de uma mobilização nacional para formar uma “corrente humana” ao redor de usinas de energia em todo o país, em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos. O chamado foi feito pelo vice-ministro da Juventude e do Esporte, Alireza Rahimi, que convidou não apenas jovens, mas também figuras culturais, artistas e atletas para a campanha intitulada “Corrente Humana da Juventude Iraniana por um Amanhã Brilhante”. A ação está prevista para ocorrer simultaneamente em diversas regiões, com participantes reunidos ao lado de instalações elétricas consideradas estratégicas.
A iniciativa ocorre após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o país poderia bombardear a infraestrutura pública iraniana caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto. Segundo Rahimi, o objetivo da mobilização é enviar uma mensagem política e simbólica de unidade nacional, destacando que ataques a estruturas civis, como usinas de energia, configurariam crimes de guerra. A convocação também enfatiza a participação de pessoas “com todas as crenças e opiniões”, reforçando o caráter amplo da mobilização.
O contexto da convocação é marcado por um histórico controverso envolvendo o uso de civis em esforços relacionados a conflitos no país. De acordo com informações citadas na reportagem, autoridades iranianas já foram acusadas de violar o direito internacional humanitário ao recrutar crianças-soldado, especialmente durante a guerra Irã-Iraque nos anos 1980. Mais recentemente, a Anistia Internacional relatou que forças ligadas ao regime também pediram a participação de voluntários, incluindo adolescentes, em atividades de apoio ao esforço de guerra, o que amplia as preocupações da comunidade internacional diante da atual mobilização.
