Um novo vídeo de câmeras de segurança registrou o momento exato em que a tragédia em Diadema, na Grande São Paulo, começou a se desenhar. As imagens mostram o motorista Demóstenes Dias de Macedo, de 64 anos, saindo de casa e “cantando pneu” com o veículo; segundos depois, ouve-se o estrondo da colisão seguido por gritos de desespero. Testemunhas relataram que o carro desceu a Rua Santa Cruz em alta velocidade e, após atingir uma mureta, invadiu a calçada onde crianças costumavam brincar com tranquilidade, matando os irmãos Sophya, de 10 anos, e Izaias de Oliveira Santos, de 5 anos.
Em depoimento à polícia, Demóstenes admitiu ter ingerido bebida alcoólica pela manhã, alegando que estava “abalado emocionalmente” devido a uma separação recente. Ele afirmou ter se confundido com os pedais do carro após colocá-lo no modo “drive”, alegando que o acelerador travou e ele não conseguiu frear. No entanto, para os investigadores, a justificativa não anula a responsabilidade, uma vez que o motorista assumiu o risco ao dirigir sob efeito de álcool. Após o atropelamento, moradores impediram que ele fugisse do local e o contiveram até a chegada das autoridades.
A brutalidade do acidente deixou outras duas crianças feridas e internadas, sendo que uma delas, de 8 anos, precisou passar por cirurgia devido a fraturas nos dois tornozelos. Um quinto menor escapou por pouco de uma fatalidade ainda maior; as imagens mostram que ele chegou a ser atingido por uma moto projetada pela colisão, mas foi rapidamente resgatado e abraçado pelo pai. Os corpos de Sophya e Izaias foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) e devem ser enterrados nesta segunda-feira (6) em Taquarana, Alagoas, cidade natal da família.
Diante da gravidade dos fatos, a Justiça de São Paulo converteu a prisão em flagrante de Demóstenes em preventiva durante audiência de custódia realizada no sábado (4). A Secretaria de Segurança Pública informou que ele responderá por homicídio doloso — quando se assume o risco de matar — e lesão corporal dolosa. O magistrado de plantão considerou a necessidade da manutenção da prisão diante do clamor público e da natureza gravíssima do crime, que interrompeu a vida de dois irmãos que apenas brincavam na calçada de casa.
No bairro onde ocorreu a tragédia, o clima é de profundo luto e indignação. Vizinhos realizaram uma manifestação silenciosa com cartazes pedindo justiça e relembrando o carinho com que Sophya cuidava de seu irmão caçula. “Eram crianças cheias de amor”, lamentou um morador local. A comunidade, que descrevia a rua como um ambiente seguro para a infância, agora lida com o trauma de um evento que, segundo as testemunhas, parecia uma cena de destruição completa em questão de segundos.
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