Muitos associam o interior a ar puro e vida mais saudável, longe do trânsito e das indústrias. Mas estudos mostram que, em alguns casos, a poluição no campo também pode afetar a saúde, desafiando a ideia de que o interior é sempre sinônimo de ar limpo.
Um estudo do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), conduzido pela pesquisadora Aleinnys Yera, revelou que áreas agrícolas podem apresentar níveis significativos de pesticidas no ar. A pesquisa analisou a presença dessas substâncias em três locais distintos: uma área urbana de São Paulo, uma região industrial em Capuava e uma zona agrícola em Piracicaba.
O estudo analisou partículas finas suspensas no ar, chamadas de material particulado, que podem penetrar profundamente nos pulmões. Os pesquisadores encontraram pesticidas em todas as áreas avaliadas, mas Piracicaba, com intensa atividade agrícola, apresentou as maiores concentrações de compostos nocivos, como a atrazina, herbicida amplamente usado em plantações de cana-de-açúcar.
Embora seja permitido no Brasil, o herbicida atrazina está ligado a riscos à saúde, incluindo alguns tipos de câncer, e pode persistir no ambiente por longos períodos, sem se limitar ao local de aplicação. A pesquisa também mostrou que a combinação de diferentes substâncias pode intensificar os efeitos tóxicos, tornando os impactos ainda mais preocupantes.
Outro achado alarmante: o heptacloro, proibido no Brasil há décadas, ainda foi detectado em todas as áreas analisadas, indicando que parte da população continua inalando esse composto banido sem perceber.
