Veto chinês e pressão dos EUA travam decisão da ONU sobre Ormuz

André Oliveira
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Estreito de Ormuz

O Conselho de Segurança da ONU decidiu adiar para a próxima semana a votação de uma resolução sobre a segurança no Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas mais estratégicas para o comércio global de petróleo e atualmente no centro das tensões no Oriente Médio. A proposta, apresentada pelo Bahrein, prevê autorizar países a adotarem “medidas defensivas necessárias” na região diante de possíveis ofensivas do Irã, podendo representar o primeiro aval formal da ONU para o uso da força no atual conflito.

O adiamento ocorre em meio a divergências entre os membros do Conselho de Segurança, especialmente pela posição da China, que já sinalizou oposição à iniciativa e possui poder de veto. Além disso, França e Rússia também demonstraram objeções ao texto, ampliando o impasse diplomático. O Bahrein, que preside o Conselho e mantém forte alinhamento com os Estados Unidos — incluindo a presença de bases militares americanas —, tornou-se peça central na proposta, aumentando as tensões com o Irã, que vê a medida como provocativa.

A importância do Estreito de Ormuz reforça o peso da decisão: a região é responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente e também é rota essencial para o gás natural liquefeito. Qualquer instabilidade no local impacta diretamente os preços de energia, pressiona cadeias produtivas e influencia a inflação em diversas partes do mundo. Nesse contexto, a resolução se torna um termômetro das disputas geopolíticas atuais, evidenciando o choque entre interesses estratégicos e a dificuldade de consenso dentro da ONU.

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