Toffoli teria usado avião de empresa de Vorcaro para ir ao Tayayá, diz jornal

Nayara Vieira
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Toffoli teria usado avião de empresa de Vorcaro para ir ao Tayayá, diz jornal (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou um jato executivo ligado ao dono do Banco Master para viajar de Brasília a Marília (SP) em julho de 2025. O levantamento, baseado em dados da Anac e do Decea, aponta que a aeronave é operada pela empresa de Daniel Vorcaro, empresário que já teve vínculos societários indiretos com o ministro por meio de negócios envolvendo um resort no Paraná. O gabinete de Toffoli e o STF foram procurados, mas não se manifestaram sobre o uso do transporte particular.

A logística das viagens do magistrado incluiu ainda o apoio de equipes de segurança oficial. Na mesma data do voo para o interior paulista, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), cidade que abriga o resort Tayayá, frequentado por Toffoli e situado a cerca de 150 quilômetros de Marília. Segundo a corte trabalhista, a movimentação foi uma solicitação direta do Supremo Tribunal Federal para atender a uma autoridade, reforçando o aparato em torno dos deslocamentos particulares do ministro.

Em resposta às repercussões sobre suas atividades empresariais, o gabinete de Toffoli emitiu uma nota admitindo que o ministro é sócio da empresa Maridt, embora negue relações financeiras diretas com Daniel Vorcaro. A Maridt manteve participação no grupo responsável pelo resort Tayayá até fevereiro de 2025, quando concluiu sua saída definitiva do negócio. O processo de desinvestimento envolveu a venda de cotas ao Fundo Arleen, controlado pela administradora Reag — ligada ao Banco Master —, e a alienação do saldo remanescente para a PHB Holding.

Apesar da confirmação da sociedade e das transações, os valores envolvidos nas operações não foram tornados públicos, sob a justificativa de que foram declarados à Receita Federal e seguiram preços de mercado. O levantamento jornalístico identificou ao menos dez registros de entrada de Toffoli em terminais executivos de Brasília em 2025, sendo que, em cinco ocasiões mapeadas, as aeronaves pertenciam a empresários. Até o momento, tanto o gabinete do ministro quanto o STF e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre os detalhes das viagens em jatos particulares.

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