Após aprovação no Senado, projeto contra misoginia chega à Câmara sob tensão

André Oliveira
2 min de leitura
Soraya Thronicke

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora do chamado PL da Misoginia, afirmou que a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados deve enfrentar forte resistência e embates intensos. Em entrevista ao SBT News, ela declarou que a votação pode se transformar em um “verdadeiro ringue”, com possibilidade de discussões acaloradas e até confrontos físicos entre parlamentares. O projeto, já aprovado por unanimidade no Senado após pressão da sociedade civil, segue agora para análise dos deputados, onde o cenário político é considerado mais desafiador.

A proposta equipara a misoginia — caracterizada como ódio, aversão ou segregação contra mulheres — a crimes como o racismo, tornando essas práticas inafiançáveis e imprescritíveis. Segundo a relatora, o texto não criminaliza opiniões ou pensamentos individuais, mas sim a manifestação pública de ódio contra mulheres. Thronicke também destacou a disseminação de informações falsas sobre o projeto e reforçou que comportamentos cotidianos, como cumprimentos ou elogios, não são alvo da lei, desde que não configurem assédio.

A senadora contextualizou a proposta em meio ao aumento da violência de gênero no Brasil, classificando o cenário como uma “pandemia” de ataques contra mulheres. Ela citou dados que apontam uma média de quatro feminicídios por dia no país em 2025 e alertou para o crescimento de grupos misóginos, como os chamados “red pills”. Para Thronicke, a mobilização da sociedade será determinante para pressionar o Congresso a avançar com a proposta e outras medidas de proteção às mulheres.

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