Sem governador e com disputa acirrada: os atores da crise no Rio

André Oliveira
2 min de leitura
políticos

A crise institucional no Rio de Janeiro ganhou novos contornos na última semana, após uma sucessão de decisões judiciais, renúncias e disputas internas que culminaram em um cenário inédito de vazio de poder. O estado passou a não ter simultaneamente governador, vice-governador e uma liderança consolidada na Assembleia Legislativa (Alerj), o que obrigou o Judiciário a assumir temporariamente funções do Executivo. Embora a situação pareça abrupta, o quadro é resultado de um processo gradual de desgaste político e institucional que se intensificou ao longo dos últimos meses.

O primeiro movimento decisivo para a crise ocorreu ainda em maio de 2025, quando o então vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), abrindo a primeira lacuna na linha sucessória. Posteriormente, o então governador Cláudio Castro renunciou ao cargo às vésperas de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no qual acabou sendo condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A saída foi estratégica, já que Castro pretendia disputar o Senado e, ao mesmo tempo, evitar a perda direta do mandato por decisão judicial.

Com a vacância no Executivo, a tentativa de reorganizar o comando político passou pela Alerj, que realizou uma votação extraordinária para eleger o deputado estadual Douglas Ruas como novo presidente da Casa, com 45 votos favoráveis e nenhum contrário. Apesar disso, o cenário permaneceu travado, evidenciando a disputa entre diferentes grupos políticos e possíveis pré-candidatos ao governo estadual. Nomes como André Ceciliano também surgem como peças importantes nesse tabuleiro, ampliando a complexidade da crise e demonstrando que o impasse vai além da sucessão imediata, envolvendo interesses eleitorais e rearranjos de poder no estado.

MARCADO:
Compartilhar este artigo