Missão espacial, impacto real: as mudanças no organismo fora da Terra

André Oliveira
2 min de leitura
Além de exploradores espaciais, os tripulantes da Artemis II serão voluntários de uma pesquisa científica a bordo • Nasa/Frank Michaux/Divulgação

A permanência prolongada no espaço provoca mudanças significativas no corpo humano, principalmente devido à microgravidade e à exposição à radiação. Sem a ação constante da gravidade, os músculos deixam de ser exigidos como na Terra, o que pode levar à atrofia muscular mesmo em astronautas altamente treinados. Estudos apontam que o tamanho das fibras musculares pode diminuir em até um terço em menos de duas semanas. Além disso, há perda de densidade óssea: em apenas um mês no espaço, um astronauta pode perder cerca de 1,5% de sua massa óssea, índice semelhante ao que ocorreria em um ano em condições naturais na Terra.

Para minimizar esses efeitos, os astronautas seguem rotinas rigorosas de exercícios físicos, com cerca de duas horas e meia diárias, combinando atividades aeróbicas e de resistência. Equipamentos específicos simulam o levantamento de peso, ajudando a preservar ossos e músculos durante as missões. Ainda assim, o corpo passa por um processo contínuo de adaptação à microgravidade, o que exige cuidados também no retorno à Terra, quando os tripulantes precisam readquirir força e equilíbrio para retomar as atividades normais.

Outro impacto importante envolve a redistribuição de fluidos corporais. Como cerca de 70% do corpo humano é composto por líquidos, a ausência de gravidade faz com que esses fluidos se desloquem de maneira uniforme, acumulando-se em regiões onde normalmente não se concentram. Isso pode causar inchaço no rosto, afinamento das pernas — fenômeno conhecido como “pernas de galinha” — e até alterações na visão. Essas mudanças ilustram como o organismo humano, adaptado à gravidade terrestre, precisa se reajustar profundamente para sobreviver e funcionar em um ambiente espacial.

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