A Seleção Brasileira preocupa mais pelo desempenho do que pelo resultado

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Foto: Winslow Townson-Imagn Images

A derrota do Brasil para a França por 2 a 1, em amistoso disputado na última quinta (26/03), pode até parecer circunstancial à primeira vista. Mas o placar engana. O problema apresentado vai muito além do resultado. O que se viu em campo foi uma seleção inofensiva, sem identidade e, principalmente, sem qualquer senso de protagonismo.

Enquanto a França atuava em ritmo de treino, sem precisar forçar o jogo em praticamente nenhum momento, o Brasil parecia perdido. Faltou intensidade, organização e, sobretudo, capacidade de reagir. A diferença de postura entre as equipes foi evidente.

De um lado, um time confortável; do outro, uma seleção apática.

Chama atenção, mais uma vez, o desempenho de jogadores que brilham em seus clubes, mas não conseguem reproduzir o mesmo nível com a camisa da seleção. Vinicius Jr. e Raphinha são exemplos claros disso. Protagonistas em alto nível no futebol europeu, mas que, no contexto da seleção, apresentam uma versão distante daquela que os consagrou. Falta confiança, agressividade e presença no jogo.

O único ponto fora da curva foi Luiz Henrique. Ao entrar na segunda etapa, trouxe algo que parecia inexistente até então: iniciativa. Mesmo errando, tentou, insistiu e partiu para o enfrentamento. Algo básico, mas que fez falta em um time recheado de nomes consolidados.

Outro fator que escancara as limitações da atuação brasileira foi a superioridade numérica durante grande parte do segundo tempo. Com um jogador a mais após a expulsão de Upamecano, esperava-se um cenário de pressão e controle. Mas não foi o que aconteceu. A França se reorganizou com facilidade, manteve o controle emocional da partida e, mesmo em desvantagem numérica, conseguiu ampliar o placar.

O meio-campo brasileiro, por sua vez, pouco contribuiu. Faltou criatividade, conexão e construção de jogo. Para uma seleção que historicamente se destacou pela inventividade, o cenário atual é preocupante.

Nesse contexto, cresce o debate sobre a necessidade de um jogador como Neymar. Independentemente das discussões físicas ou de momento, a carência criativa da equipe faz com que qualquer lampejo de talento diferenciado passe a ser visto como solução imediata. E isso diz muito sobre o estágio atual da seleção.

É verdade que o Brasil ainda teve uma chance no fim, que poderia até resultar no empate. Mas isso pouco mudaria a análise geral. Perder para a França, em um amistoso, é aceitável. O que não é aceitável é a forma como isso acontece.

Hoje, enxergar um futuro promissor para a seleção brasileira exige um certo esforço de fé. Sem mudanças claras de postura, organização tática e atitude dentro de campo, o risco é repetir, mais uma vez, um roteiro recente: participar da Copa do Mundo sem, de fato, se impor.

Uma seleção sem personalidade não assusta. E, do jeito que está, o Brasil parece cada vez mais distante de ser protagonista.

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