Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, votou a favor da aprovação, no Senado, da lei que equipara a misoginia ao crime de racismo, gerando polêmica dentro de seu próprio grupo político. O projeto foi aprovado por unanimidade na terça-feira (24/3), com os 67 senadores presentes, incluindo Flávio, mas recebeu críticas de aliados próximos, entre eles seu irmão Eduardo Bolsonaro e a deputada Júlia Zanatta, que classificaram a medida como uma agenda ideológica contrária aos valores conservadores.
Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para afirmar que não poderia aceitar que o bolsonarismo fosse usado para uma “agenda agressivamente antimasculina” e repudiou o texto, chamado por ele de “Lei da Misoginia”. Já a deputada Júlia Zanatta declarou que o objetivo da lei seria corroer os vínculos familiares e criticou o efeito da medida sobre homens e mulheres, afirmando que ela busca “dissolver a família”. Apesar das críticas, Flávio manteve seu posicionamento e votou favoravelmente, reforçando sua adesão ao texto aprovado.
O projeto inclui a misoginia na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), prevendo pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa para injúrias misóginas. A medida amplia o alcance da legislação contra discriminação, agora considerando não apenas raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, mas também ódio direcionado às mulheres. O apoio de Flávio à lei expõe o racha interno no bolsonarismo e coloca o senador no centro do debate sobre direitos das mulheres e conservadorismo no país.
