Feminicídio: estudante de 22 anos assassinada pelo ex havia recebido medida protetiva há menos de um mês

Nayara Vieira
3 min de leitura
Estudante de 22 anos assassinada pelo ex havia recebido medida protetiva há menos de um mês (Fotos: Reprodução)

O feminicídio da estudante de medicina Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos, expõe as falhas críticas no sistema de proteção a mulheres em situação de vulnerabilidade. O crime ocorreu no último domingo (22), no condomínio Le Parc, no Recife, menos de um mês após a jovem ter solicitado uma medida protetiva contra o ex-companheiro, Silvio Souza Silva. Conhecido como “Dom Silver”, o empresário e influenciador de 48 anos matou a universitária a tiros e, em seguida, tirou a própria vida, deixando órfã a filha de 3 anos do casal.

A tragédia é marcada por um histórico de violência que já havia levado Silvio à prisão em janeiro deste ano. Em fevereiro, Isabel buscou a Delegacia da Mulher relatando perseguições, ameaças de morte e episódios de invasão de domicílio. Na ocasião, ela formalizou o pedido de proteção urgente, mas foi orientada pela polícia a retornar à unidade apenas nesta terça-feira (24). O assassinato aconteceu justamente dois dias antes desse retorno agendado, levantando questionamentos sobre a agilidade e a eficácia do acompanhamento institucional após as denúncias.

No dia do crime, testemunhas relataram uma discussão entre o ex-casal no apartamento da vítima. Silvio chegou a deixar o condomínio, mas retornou pouco depois. Como o contrato de locação do imóvel ainda estava vigente em nome de ambos, ele possuía acesso livre e regular ao residencial. A administração do Le Parc afirmou, em nota, que não tinha conhecimento da medida protetiva ou de qualquer restrição judicial que impedisse a entrada do agressor, ressaltando que não houve solicitação de bloqueio de acesso por parte da vítima ou das autoridades.

O cenário de violência doméstica descrito por Isabel no boletim de ocorrência revelava um comportamento possessivo de Silvio, que não aceitava o fim do relacionamento de seis anos. Em novembro de 2025, ele chegou a arrombar a porta da residência da estudante sob a justificativa de que pagava o aluguel do local. Apesar do medo constante e das investidas do agressor, Isabel optou por permanecer em sua casa e recusou o abrigo temporário oferecido pelo governo, tentando manter a rotina com sua filha no ambiente familiar.

Este caso reforça a urgência de fortalecer a rede de apoio e os canais de denúncia para mulheres no Recife. Instituições como o Centro de Referência Clarice Lispector e as salas especializadas nas unidades do Compaz seguem disponíveis para oferecer acolhimento multidisciplinar e orientação jurídica. A morte prematura de Isabel Cristina é um lembrete doloroso de que o tempo do sistema judiciário e policial nem sempre acompanha a urgência do risco enfrentado por vítimas de violência de gênero.

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