O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, tem incentivado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a dar continuidade ao conflito contra o Irã, segundo revelações do jornal The New York Times. Em conversas telefônicas ocorridas na última semana, o líder saudita teria classificado o atual confronto como uma “oportunidade histórica” para desestabilizar o regime dos aiatolás e remodelar a geopolítica do Oriente Médio. Salman argumenta que Teerã representa uma ameaça existencial de longo prazo aos países do Golfo Pérsico, que só seria eliminada com a queda definitiva do governo iraniano.
A postura de Salman encontra eco nas ambições do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, embora os dois líderes divirjam sobre o desfecho ideal para a crise. Enquanto Israel poderia considerar aceitável um cenário onde o Irã se tornasse um Estado falido e instável, a Arábia Saudita visualiza essa fragmentação como um risco severo à sua própria segurança nacional. De acordo com a publicação norte-americana, o príncipe saudita teria ido além do apoio retórico, incitando Trump a autorizar ataques diretos contra a infraestrutura energética iraniana para asfixiar a economia do país vizinho.
As revelações surgem em um momento de aparente contradição diplomática, já que o presidente Donald Trump tem afirmado publicamente que seu governo negocia com o Irã para encerrar a guerra iniciada no final de fevereiro. Por outro lado, autoridades sauditas negam veementemente as informações do jornal, rejeitando a ideia de que Salman esteja pressionando pelo prolongamento das hostilidades. O governo da Arábia Saudita reforçou, em nota oficial, que sempre defendeu soluções pacíficas para o conflito e que mantém contato constante com a administração americana para tratar da estabilidade regional.
Oficialmente, a Arábia Saudita sustenta que sua prioridade atual é a autodefesa contra ataques direcionados ao seu povo e à sua infraestrutura civil. O governo saudita acusa o Irã de ter escolhido uma escalada perigosa em detrimento de alternativas diplomáticas sérias, justificando sua postura como uma reação às agressões sofridas. Enquanto os bastidores indicam uma pressão por uma vitória militar decisiva, o discurso público da monarquia tenta equilibrar a necessidade de defesa com o apoio formal a um desfecho que evite o caos total na fronteira do Golfo.
