Caso PM Gisele: coronel muda versão e admite relação sexual antes do feminicídio

Nayara Vieira
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Caso PM Gisele: coronel muda versão e admite relação sexual antes do feminicídio (Foto: Redes socias)

O tenente-coronel Geraldo Leite Costa Neto, réu por feminicídio e fraude processual, alterou significativamente sua versão dos fatos ao ser preso na última quarta-feira (18/3), exatamente um mês após a morte de sua esposa, a PM Gisele Alves Santana. Em novo depoimento à polícia, o oficial admitiu ter mantido relações sexuais com a vítima pouco antes de ela ser encontrada morta com um tiro na cabeça.

Segundo o militar, o encontro foi marcado por um momento de vulnerabilidade emocional: “A gente conversou, nos emocionamos, choramos ali, abraçados, sentados no sofá, lembrando os momentos bons, nos beijamos, tivemos, ali mesmo, no sofá da sala, uma relação sexual, e ali, a gente fez, vou usar o termo, fez amor pela última vez”.

Essa nova declaração de que o casal teria se relacionado “pela última vez” contradiz frontalmente o que o coronel sustentava desde o início das investigações. Anteriormente, ele afirmava que o casamento atravessava uma crise profunda e que ambos não mantinham qualquer contato íntimo desde agosto de 2025. A mudança na narrativa ocorreu apenas após o confronto com evidências científicas irrefutáveis obtidas através da exumação do corpo da vítima, que invalidaram sua tese anterior de distanciamento físico total nos meses que antecederam o crime.

Os laudos periciais foram determinantes para desmentir a versão inicial do acusado, confirmando a presença de material genético no corpo da policial militar. Conforme consta nos documentos das análises periciais, “na análise da amostra do exame sexológico há resultado positivo para espermatozoides no canal vaginal conferindo a existência de coito vaginal recente”. A convergência entre a prova técnica e a confissão posterior do réu reforça a tese de que houve interação física imediata ao óbito, elemento central para a reconstrução da dinâmica dos fatos pela Polícia Civil.

Diante do conjunto probatório, a promotoria ofereceu denúncia por feminicídio qualificado, praticado em contexto de violência doméstica, incluindo causas de aumento de pena e o crime de fraude processual. O tenente-coronel agora responde judicialmente como réu, enquanto as autoridades investigam se a alteração do depoimento e as circunstâncias do ato sexual fazem parte de uma estratégia de defesa ou de uma tentativa de mascarar a natureza do crime. Até o momento, a defesa do oficial não se pronunciou publicamente sobre a nova tipificação da denúncia.

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