O desembargador aposentado Rafael de Araújo Romano entregou-se à polícia nesta sexta-feira (20/3), em Manaus (AM), para iniciar o cumprimento de sua pena de 47 anos de prisão em regime fechado. O magistrado, condenado por abusar sexualmente da própria neta, apresentou-se na Delegacia Geral após a Justiça do Amazonas determinar a expedição do mandado de prisão na última quarta-feira (18/3). A decisão ocorreu devido ao trânsito em julgado da sentença, o que significa que não restam mais recursos jurídicos para contestar a condenação ocorrida originalmente em 2020.
O caso, que gerou enorme repercussão, foi revelado publicamente pela mãe da vítima em relatos fortes nas redes sociais. Na época da denúncia, ela descreveu o ex-sogro como um “monstro” e relatou a quebra de confiança familiar, detalhando que os abusos ocorriam dentro de sua própria casa enquanto ela realizava tarefas domésticas, acreditando que a filha estava segura com o avô. Com a prisão oficializada, a Justiça informou que a comunicação formal sobre a perda do cargo público e a possível cassação da aposentadoria de Romano será encaminhada à Procuradoria-Geral do Estado para as providências administrativas necessárias.
A entrega do ex-magistrado marca o desfecho de um longo processo judicial que percorreu diversas instâncias ao longo dos últimos seis anos. Agora sob custódia, Rafael de Araújo Romano deverá ser submetido a exames de corpo de delito antes de ser transferido para o sistema prisional amazonense. A defesa do aposentado não emitiu novas declarações após a apresentação espontânea, e o caso segue sendo acompanhado de perto por órgãos de proteção à infância e pela sociedade civil, simbolizando um marco no combate à impunidade em crimes de violência sexual contra vulneráveis no estado
