A equipe médica de Jair Bolsonaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um extenso prontuário detalhando o estado de saúde do ex-presidente. O documento, solicitado pelo próprio magistrado, reúne exames recentes e antigos, incluindo tomografias que comprovam uma infecção pulmonar severa. O relatório destaca que o tratamento exigiu a administração de três antibióticos e que o paciente apresentou complicações renais durante o período de internação na UTI de cuidados intermediários, onde permanece sob monitoramento constante.
Embora os médicos mencionem um prazo estimado de 14 dias para a recuperação, o prontuário enfatiza que a previsão de alta depende estritamente da evolução clínica. Atualmente, Bolsonaro continua recebendo medicação intravenosa e, caso apresente melhora progressiva, poderá ser transferido para um quarto comum até o final de semana. A defesa utiliza esses dados técnicos para embasar um novo pedido de transferência para prisão domiciliar, argumentando que a medida é uma “providência necessária para assegurar condições mínimas de tratamento médico adequado”.
Os advogados sustentam que o pedido não se trata de um “privilégio”, mas sim de uma forma de evitar a “ampliação indevida dos riscos clínicos”, permitindo que o ex-presidente tenha acompanhamento permanente de familiares e acesso imediato a emergências hospitalares. Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses no complexo da Papudinha, em Brasília, por envolvimento em tramas golpistas. Para a defesa, a estrutura prisional atual não seria suficiente para garantir o monitoramento contínuo exigido pela gravidade do seu quadro infeccioso e renal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou o pleito em uma reunião com o ministro Moraes, classificada por ele como “tranquila e objetiva”. Segundo o senador, o ministro afirmou que analisará a possibilidade de conversão da pena em prisão domiciliar em um “momento oportuno”, embora não tenha estabelecido um prazo para a decisão. Enquanto aguarda o despacho do STF, o ex-presidente segue internado sob escolta, com sua equipe de defesa insistindo que a manutenção no regime fechado, diante da fragilidade física apresentada, compromete sua integridade assistencial.
