O Tribunal do Júri condenou o ex-médico Lauro Estevão Vaz Curvo a 46 anos de prisão pelo assassinato de sua mãe, Zely Alves Curvos, de 94 anos. O crime, ocorrido em maio de 2024 em Águas Claras (DF), foi caracterizado como feminicídio qualificado e fraude processual. Segundo as investigações da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, o ex-médico ateou fogo na maca onde a idosa, que vivia acamada, estava deitada, causando sua morte por queimaduras.
A sentença destacou que a motivação do crime foi financeira. O juiz apontou que Lauro agiu após ter o pedido de curatela da mãe negado pela Justiça, o que o impediu de obter controle total sobre os rendimentos da vítima. Além disso, o magistrado ressaltou o histórico familiar conturbado do condenado, citando sua falta de dedicação aos cuidados da genitora e episódios anteriores de violência doméstica contra sua ex-esposa.
O histórico criminal de Lauro já era extenso antes do crime brutal. Em 2023, ele chegou a ser preso por abandonar a mãe em um hospital militar por mais de 30 dias após a alta médica e por induzi-la a assinar procurações sem que ela tivesse discernimento para tal. Na ocasião, ele foi solto em audiência de custódia. O ex-médico também teve seu registro cassado pelo CRM-DF em 2021, após ser condenado por abusar sexualmente de pacientes, incluindo uma adolescente grávida, durante consultas ginecológicas.
Atualmente, Lauro Estevão Vaz Curvo encontra-se detido e, conforme determinação judicial, não poderá recorrer da sentença em liberdade. A decisão encerra um ciclo de negligência e abusos cometidos pelo ex-médico, cujo comportamento foi classificado pelo tribunal como de extrema gravidade social e familiar. A defesa do condenado não foi localizada para comentar a decisão até o momento.
