Albânia propõe criação de microestado islâmico inspirado no Vaticano

André Oliveira
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Centro Mundial Bektashi, área escolhida pelo primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, para abrigar um futuro Estado nos moldes do Vaticano. — Foto: Reuters/Florion Goga

A Europa pode ganhar um novo e inusitado país nos próximos anos. A proposta, revelada pelo primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, prevê a criação de um microestado muçulmano dentro da capital Tirana, inspirado no modelo do Vaticano. O território seria administrado pela Ordem Bektashi, uma vertente do islamismo conhecida por sua abordagem mais flexível e tolerante, e teria autonomia política e religiosa própria.

Caso seja aprovado pelo Parlamento albanês, o novo Estado ocuparia uma área de cerca de 100 mil metros quadrados — menor que o Vaticano, atualmente o menor país do mundo — e funcionaria como um enclave soberano. A ideia é que o local tenha administração independente, com emissão de passaportes e regras próprias, mas sem características tradicionais de um país, como exército ou sistema policial. A proposta também defende maior liberdade individual, incluindo o consumo de álcool e escolhas pessoais sem imposições rígidas religiosas.

Apesar do discurso de promoção da tolerância religiosa e combate ao extremismo, o projeto enfrenta resistência dentro da própria Albânia. Lideranças religiosas e especialistas apontam riscos de desequilíbrio nas relações entre religiões no país e questionam a necessidade da criação de um novo Estado. Ainda assim, os idealizadores defendem que o chamado “Vaticano muçulmano” teria caráter simbólico e espiritual, com o objetivo de reforçar uma visão mais moderada do islamismo no cenário internacional.

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