O inquérito que investiga a morte da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, ganhou um novo e determinante elemento: o testemunho de sua filha de 7 anos. A policial foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no Brás, região central de São Paulo.
Segundo o depoimento de Marinalva Vieira Alves de Santana, mãe da soldado, a neta foi buscada pelo pai biológico no imóvel no dia 17 de fevereiro — um dia antes de Gisele ser achada gravemente ferida. Ao chegar à casa dos avós, a menina apresentava um quadro de forte instabilidade emocional:
“Na terça-feira (17/2/2026), o pai de sua neta a buscou na casa de Gisele e a levou para sua casa. A criança teria chegado à casa dos avós muito abalada, chorando muito, pedindo para não voltar para a casa, pois disse que não aguentava mais as brigas de Geraldo com a mãe e os gritos do padrasto.”
Isolamento e vigilância extrema
O relato familiar detalha uma rotina doméstica marcada pela tensão. De acordo com a avó, Gisele e a filha costumavam se isolar em um quarto enquanto o oficial permanecia em outro cômodo. Marinalva descreveu à Polícia Civil um cenário de controle absoluto e agressividade psicológica exercidos pelo tenente-coronel sobre sua filha:
“Gisele passou a queixar-se para a depoente sobre a agressividade de Geraldo. Dizia que tudo tinha que ser do jeito de Geraldo, que sofria agressões psicológicas com muita frequência, como, por exemplo, proibição de usar salto alto, batom, perfumes.”
Monitoramento constante – PM Gisele
A mãe da soldado enfatizou que o comportamento possessivo do oficial era evidente para o círculo próximo do casal e ultrapassava os limites da privacidade básica da vítima. Segundo ela, o controle era ininterrupto: “Se ela fosse ao banheiro, ele ia atrás”, acrescentou Marinalva no depoimento que agora entra nas investigações da Polícia Civil.
