O ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para Assuntos do Brasil, Nick Zimmerman, considera possível que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump conteste o resultado das eleições brasileiras caso o presidente da República Luis Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito por uma diferença pequena.
Zimmerman integrou o governo de Barack Obama e atualmente atua como pesquisador sênior do Inter-American Dialogue. Segundo ele, a atuação de Trump na eleição brasileira alcançou um nível de interferência sem precedentes recentes na política externa dos EUA.
“Em um cenário no qual o presidente Lula ganha, mas por muito pouco, algo provável, não descarto a possibilidade de o governo Trump não reconhecer o resultado”, afirmou à Folha de S. Paulo.
Na avaliação do ex-assessor, um eventual não reconhecimento do resultado poderia ser usado pelo republicano como instrumento para ampliar a pressão sobre o Brasil. “Poderia vir a ser um novo instrumento de pressão em 2027. Poderia implicar novas sanções e outras pressões econômicas na relação bilateral a partir do ano que vem”, destacou.
Zimmerman reforça que a interferência do governo Trump na eleição brasileira não tem precedente recente nos Estados Unidos. “A postura de Trump de usar mecanismos do poder público e endossar outros candidatos é algo sem precedentes na história recente dos EUA”, declarou.
Na avaliação dele, os interesses de Washington D.C. também envolvem o acesso a minerais críticos e terras raras brasileiros, além da redução da presença chinesa em setores estratégicos do país.
