Abin alerta Lula e TSE sobre risco de interferência dos EUA nas eleições

Douglas Lima
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Os presidentes Lula e Donald Trump - Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou, em relatório enviado no fim de agosto, sobre o “nível de criticidade” da possível influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O documento foi encaminhado ao Palácio do Planalto, Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O relatório da agência, divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, faz referência a documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026, reforçando que os objetivos do presidente norte-americano são a “redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense”.

Segundo a agência, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.

A Abin também afirma que a manutenção da hegemonia nos EUA na América Latina é uma “prioridade do segundo governo Trump”. Segundo a agência, as ações adotadas pelo governo norte-americano desde maio indicam uma tendência de aumento da pressão sobre os países da região.

Em 1º de julho, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com a Abin, o movimento demonstra que o governo norte-americano “passa a incidir diretamente sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias”.

“O episódio reforça a avaliação de que a interferência externa dos EUA sobre o Brasil ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo”, destacou.

A agência já havia alertado para os impactos dessas medidas, observados, por exemplo, em setores afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

A Agência Brasileira de Inteligência conclui que “oepisódio reforça a avaliação de que a interferência externa dos EUA sobre o Brasil ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo”.

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