“Quem tem medo da Polícia Federal?”, Moraes ataca Mendonça

Nayara Vieira
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A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) registrou um dos momentos mais tensos do julgamento, marcada por um duro embate no plenário entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Moraes defendeu que o processo em pauta (Pet 16.662) não pode ser analisado isoladamente da Pet 16.704, que reúne acusações contra Mendonça, alegando que ambos compartilham as mesmas bases fáticas. Ao defender a análise conjunta, Moraes elevou o tom de voz e questionou repetidamente: “Quem tem medo da Polícia Federal?”, em alusão ao afastamento da cúpula da corporação determinado por Mendonça.

A tensão escalou quando Moraes afirmou a existência de testemunhas, incluindo policiais e advogados, prontas para depor sobre a atuação do colega de Corte. Diante da declaração, Mendonça reagiu prontamente e interrompeu o discurso de Moraes com a palavra “Mentira!”, dando início a uma ríspida troca de acusações. Em sua fala, Moraes também defendeu a legitimidade dos relatórios de inteligência da PF, negou a existência de documentos apócrifos, classificou as investigações conduzidas contra si como “fraudulentas” e sustentou que o episódio estaria servindo aos interesses do grupo político responsável pela tentativa de golpe no país, afirmação novamente contestada por Mendonça no plenário.

A divergência travada entre os ministros expõe uma contestação direta à delimitação estabelecida pelo presidente do STF, Edson Fachin. Fachin havia determinado previamente a separação dos dois procedimentos, mantendo as questões relativas à conduta de Mendonça restritas exclusivamente ao âmbito da Pet 16.704. Apesar da orientação da presidência da Corte, Moraes reiterou até o fim de sua manifestação que considera impossível votar a controvérsia do dia sem enfrentar de forma combinada os fatos contidos no processo que envolve Mendonça.

O julgamento reflete o ápice de uma crise institucional no tribunal motivada pelos desdobramentos das apurações do caso Banco Master. O plenário debruça-se sobre a validade da requisição emitida por André Mendonça para a extração de mensagens do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que citavam Alexandre de Moraes, bem como sobre a legalidade das sanções impostas por Mendonça à cúpula da PF, fundamentadas na alegação de ter sido monitorado indevidamente pelo setor de inteligência da corporação.

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