ANP indica bloco onde agricultor achou petróleo no CE para leilão de concessão

Douglas Lima
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Sidrônio segura nas mãos pote com líquido encontrado ao cavar poço no quintal - Foto: Divulgação

A propriedade do agricultor Sidrônio Moreira, em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, está entre as 25 áreas da Bacia Potiguar aprovadas nesta sexta-feira (4), por unanimidade, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para exploração de petróleo.

A decisão, no entanto, não significa que haverá extração comercial de petróleo na propriedade do produtor rural. A aprovação apenas permite que a área onde a substância foi identificada possa, futuramente, ser incluída em uma rodada de concessão para exploração de petróleo e gás.

Segundo a ANP, as áreas delimitadas poderão ser incluídas em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). De acordo com a agência, os espaços só poderão ser disponibilizados para oferta após o 6º ciclo, previsto para ocorrer em 7 de outubro de 2026.

Os blocos aprovados ainda precisarão cumprir etapas como análise ambiental e emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA), bem como a realização de audiência pública.

De acordo com a instituição, a descoberta do petróleo ocorreu de forma acidental, em novembro de 2024, quando Sidrônio perfurava o solo do Sítio Santo Estevão para construir um poço de água. A intenção era abastecer a propriedade, garantir a irrigação da lavoura e fornecer água aos animais.

Ao atingir cerca de 40 metros de profundidade, no entanto, a perfuração revelou um líquido preto, viscoso e com forte odor semelhante ao de asfalto. Para custear a obra na pequena propriedade, o agricultor precisou recorrer a dois empréstimos.

Após a família comunicar a descoberta à ANP, em julho de 2025, técnicos do órgão estiveram na propriedade, em março de 2026, para coletar amostras da substância. Em maio deste ano, a agência confirmou oficialmente que o material encontrado no terreno de Sidrônio Moreira era petróleo cru.

Apesar da descoberta de petróleo na propriedade e da possibilidade de inclusão da área em futuros ciclos de concessão para exploração, especialistas avaliam que a extração do recurso no local dificilmente seria economicamente viável. Isso porque os custos envolvidos na operação podem superar o valor de mercado do petróleo produzido.

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